A lógica da racionalidade
Ele me deu um forte abraço e pediu uma chance. Eu, por minha vez, me deixei abraçar e me mantive em silêncio, sentindo seu coração bater forte. Não me contive e comentei o fato, que ele confirmou de pronto, sorrindo.
Foi então que me dei conta: O meu coração batia tão forte quanto o dele. Seria eu capaz de todos aqueles sentimentos, brotando de uma só vez? Seria eu capaz de sentir aquilo que sempre ouvira os outros dizerem?
Mas não dei o braço a torcer. Não, não! Nenhuma palavra a respeito. Talvez ele nem percebesse (como se eu estivesse, assim, tentando enganá-lo e não a mim). E a minha racionalidade sempre tão imbecil, sempre tão desagradável, gritava aquilo que eu, no fundo, sabia que não deveria ouvir: “Eu não posso, sou melhor, não posso!”
Aquilo não tinha importância. Calei-me, entretanto, imóvel e incapaz de agir de acordo com os sentimentos mais profundos que me ocorriam. E ela continuava gritando, enquanto eu ensurdecia, ali, nos braços do rapaz.

A ilógica da racionalidade