Um humilde manifesto a nós

É isto o que somos.

 

Nós fumamos, bebemos, fazemos sexo e não somos o clichê da humanidade.

 

Normalidade.

 

Aconselhamo-nos a sermos normais e a comermos menos carboidratos. Nós assumimos que comemos o sabor de nossa mocidade. Temos o carisma da adolescência e o pudor dos adultos. Agora podemos nos rastejar sem medo e pregar as nossas alucinações sem drogas. Cabemos num mundo que não cabe em nós e que não cabe a nós. Vomitamos nas praças sem nojo. Apreciamos as pálidas derrotas da rotina. Trabalhamos! Então corremos em busca da força. O que podemos esperar é o que nos espera. Acabamos fadados ao destino. Assistimos à nossa própria vitória sem ao menos nos levantarmos. O espírito de nossos ideais é o ar. O corpo de nossa História é a próxima música. Comemos carvão, digerimos sódio, respiramos anfetamina. Nada nos impede de lutarmos contra a vida. Lutamos contra tudo sem conhecermos nada. Empreitadas de puro ódio! O amor é a fuga, hoje. Conhecemos um passado dentro de uma lente de aumento embaçada. Cuspimos o ancestral dentro do copo de nossas bebidas alcoólicas. Podemos castrar nossas próprias fases sem denominá-las. Assumimos a culpa e a satirizamos. Cumpra-se o que se tem de cumprir e não permitiremos revogações. Apertamo-nos entre conselhos, abominações, espaços curtos. Sabemos de nossa existência, pois não gostamos de senti-la. Não tememos demônios, somos seus aliados, pois os que se crêem demônios são nossas vítimas. Habitamos o mundo e não o pertencemos. Vivemos! E ninguém nos repudia. Somos a face da fé, somos o paraíso. Espelhamo-nos na profusão de desejos súbitos. Esta é a verdade, e consiga-a. Podemos voar sem sonhos, e saímos de buracos terrenos, profundos e invisíveis. Somos sexuais, inconseqüentes, astutos. Compreendemos as lições e as negamos. Não nos manifestamos perante as críticas sem antes julgá-las. Ajoelhamo-nos em face do eterno. Somos a eternidade! Chateia-nos o caminho da paz e, ainda assim, por ela guerreamos. Estamos entre um ponto e outro. Funcionamos.  Esperamos pelo futuro sendo um pretérito imperfeito. Ah, que se oprima a perfeição! Temos mãos para o suspeito. Choramos pelo impossível sem nunca perdê-lo de vista. E, por fim, cansamo-nos e dormimos. Espectros de desistência nos beiram sem nunca nos atingir. Cantamos! Sentimos!  Pulsamos! E lidamos com isso na passividade das sombras que carregamos. Absurdo é o tempo passar e nos levar com ele como se fôssemos sombras.

 

Que restemos! Que possamos prosperar! Que não nos tornemos as ruínas do templo da realidade! Que sejamos, que sejamos o futuro! E nada nos abraçará sem o temor de permanecermos. Somos, portanto, o imprevisível, sem nunca sê-lo, e o inexplicável sem nunca pretendê-lo. Podemos ser o silêncio imperturbável, mas nunca seremos inaudíveis. Portanto, ouça-nos! Ouça-nos para que sejamos ouvidos.

 

E calem-se

~ por ourblog2 em Setembro 5, 2010.

11 Respostas to “Um humilde manifesto a nós”

  1. I’m the first to like this post.

  2. Viver intensamente!

    E façamos o possível para que o tempo não tire esse espírito de nós.

    “Habitamos o mundo e não o pertencemos. Vivemos!” Curti essa parte.

    Beejo

  3. Parabens pelo texto niilista,cliche sem ser cliché.
    Quero ver mais em breve!

  4. AA mt bom o post ,adorei ;D

  5. Gostei bastante do texto, muito bem escrito!!!
    cheio de imagens poéticas e td mais! hehehehe

  6. Cantamos! Sentimos! Pulsamos! E lidamos com isso na passividade das sombras que carregamos

    Velho, é sua cara o texto e voce escreve super bem. Adoro pessoas que escrevem maestralmente!
    Linda =)

  7. Este texto vivo, vive dentro de minha alma agora!
    É preciso como um soco no âmago!
    “Podemos castrar nossas próprias fases sem denominá-las. Assumimos a culpa e a satirizamos. Cumpra-se o que se tem de cumprir e não permitiremos revogações. Apertamo-nos entre conselhos, abominações, espaços curtos. Sabemos de nossa existência, pois não gostamos de senti-la. Não tememos demônios, somos seus aliados, pois os que se crêem demônios são nossas vítimas.”
    Magnifico este trecho!

  8. Já sei! Faltou o meu comentário…

    “Cabemos num mundo que não cabe em nós e que não cabe a nós.”

    Já li e reli tantas vezes. Do início ao fim. Do fim ao início.
    Dá pra pegar um trecho qualquer que fará todo sentido do mundo pra mim e pra maioria das pessoas. Todas as palavras têm vida!

    Parabéns por conseguir expressar em palavras o que muita gente gostaria!

    Amo você!

  9. escreve mto!!!

  10. ameeeeeei!! isso é vc, é a gente…é a tradução da nossa geração…
    amei amei amei DE VERDADE!! arrasouu

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.