Do sentir

Era como se julho fosse o prelúdio de tudo aquilo que fora. Impossível. Como uma coisa poderia preceder outra que já acontecera? Por outro lado, porém, se tudo era um ciclo, quem seria capaz de definir o início e o fim?

Talvez tivesse perdido a consciência. Ao longe, algodões doces esbranquiçados o faziam duvidar de que a causa das ruas molhadas fora a chuva.

Da janela do carro acompanhava o movimento tão prosaico de todas as tardes – o trânsito entediante e a constatação de que em São Paulo não cabe mais nem uma agulha. E se perguntava se queria voltar a casa e ligar a televisão, disfarçada de solidão ou se preferia estar ao redor de tanta gente sem deixar de estar só. Seriam questões contemporâneas mescladas a sentimentos medievais ou um pseudo-intelectualismo alienado?

Talvez fosse melhor seguir o fluxo, esquecer tudo aquilo que era, se juntar à multidão e beber até regurgitar. Agitar! Isso sim era divertido. Dormir sem sentir as mesmas angústias, aquelas frustrações que sempre o convidavam a entrar.

O mundo nunca se adaptaria ao seu modo de pensar e agir, a maioria das pessoas nunca enxergaria o que seus olhos enxergavam. Mas que pretensão era aquela!? Achar que tem a verdade guardada em uma caixa secreta? Ah, por favor… Agora não!

Talvez tivesse mesmo perdido a consciência.

~ por ourblog2 em Junho 23, 2011.

3 Respostas to “Do sentir”

  1. Eu consigo relacionar TODOS os fatos com a sua vida. É claro que a intenção não é essa. Mas é bastante autobiográfico.

    Às vezes, você confunde o gênero dos sujeitos. É proposital? Se for, deve deixar mais claro.

    Você, novamente, fala de coisas mais palpáveis. Ainda que adentre o mundo das idéias, parece que sempre precisa pedir licença. E isto de que falo não é um problema e, sim, uma característica de sua obra. Relacionar quase tudo à realidade é a sua marca. O fazer poético é que determina a Beleza dessa sua arte e, nisso, você está é praticamente impecável.

  2. Não é autobiográfico, mas vc faz ser quando procura contextos e sempre procura! Não procure contextos, não alinhe nada disso a fatos da minha vida porque nem tudo tem a ver – minha vida certamente é muito mais do que estas linhas – leia como se não fosse meu.

    Sobre gênero dos sujeitos – Não é proposital, erro mesmo, haha.

    Obrigada pelos comentários!

    (Vou pensar nos gêneros dos sujeitos…porque ainda não encontrei!)

    Beijos!

    Veronica

  3. Eu obviamente vou relacionar. Como eu acabei de lhe dizer, eu conheço você, e é inevitável, é seu jeito de escrever. Qual é o problema? Nós podemos discordar uma da outra, mas precisamos de argumentos sólidos.

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