Do sentir
Era como se julho fosse o prelúdio de tudo aquilo que fora. Impossível. Como uma coisa poderia preceder outra que já acontecera? Por outro lado, porém, se tudo era um ciclo, quem seria capaz de definir o início e o fim?
Talvez tivesse perdido a consciência. Ao longe, algodões doces esbranquiçados o faziam duvidar de que a causa das ruas molhadas fora a chuva.
Da janela do carro acompanhava o movimento tão prosaico de todas as tardes – o trânsito entediante e a constatação de que em São Paulo não cabe mais nem uma agulha. E se perguntava se queria voltar a casa e ligar a televisão, disfarçada de solidão ou se preferia estar ao redor de tanta gente sem deixar de estar só. Seriam questões contemporâneas mescladas a sentimentos medievais ou um pseudo-intelectualismo alienado?
Talvez fosse melhor seguir o fluxo, esquecer tudo aquilo que era, se juntar à multidão e beber até regurgitar. Agitar! Isso sim era divertido. Dormir sem sentir as mesmas angústias, aquelas frustrações que sempre o convidavam a entrar.
O mundo nunca se adaptaria ao seu modo de pensar e agir, a maioria das pessoas nunca enxergaria o que seus olhos enxergavam. Mas que pretensão era aquela!? Achar que tem a verdade guardada em uma caixa secreta? Ah, por favor… Agora não!
Talvez tivesse mesmo perdido a consciência.

Eu consigo relacionar TODOS os fatos com a sua vida. É claro que a intenção não é essa. Mas é bastante autobiográfico.
Às vezes, você confunde o gênero dos sujeitos. É proposital? Se for, deve deixar mais claro.
Você, novamente, fala de coisas mais palpáveis. Ainda que adentre o mundo das idéias, parece que sempre precisa pedir licença. E isto de que falo não é um problema e, sim, uma característica de sua obra. Relacionar quase tudo à realidade é a sua marca. O fazer poético é que determina a Beleza dessa sua arte e, nisso, você está é praticamente impecável.
Não é autobiográfico, mas vc faz ser quando procura contextos e sempre procura! Não procure contextos, não alinhe nada disso a fatos da minha vida porque nem tudo tem a ver – minha vida certamente é muito mais do que estas linhas – leia como se não fosse meu.
Sobre gênero dos sujeitos – Não é proposital, erro mesmo, haha.
Obrigada pelos comentários!
(Vou pensar nos gêneros dos sujeitos…porque ainda não encontrei!)
Beijos!
Veronica
Eu obviamente vou relacionar. Como eu acabei de lhe dizer, eu conheço você, e é inevitável, é seu jeito de escrever. Qual é o problema? Nós podemos discordar uma da outra, mas precisamos de argumentos sólidos.