BRILHO!

•Dezembro 23, 2013 • 2 comentários

Cai a noite e tu brilhas em minha memória

Coisas da glória

Cai a vida e tu morres em meu ser

Coisas do ter

Passas

Como qualquer

Meu bem

Eras

Hoje és

Coisas do amanhecer

Vives

Ameaças-me com tua eterna passagem

Calma!

És fundamento, monumento, instrumento

 

Sou

Música para ti

Ouves-me cantar

A noite é para isto

E assobias, às vezes, minha canção

Sem ritmo ou resolução

Cais

E eu me rio

Sem motivo

De repente…

 

Inocente.

 

Sem direção

•Outubro 14, 2012 • Deixe um Comentário

E tudo que não quero

É passar por você sem te reconhecer,

Sem me perceber

De repente, a consciência

De que o lugar e a hora certa

São exatamente aqui e agora

E que o risco é um movimento necessário

Ainda que alcunhem loucura

—–

E tudo que não quero

É deixar o vento soprar sem sentir

Ainda que faça frio

De repente, a consciência

De que o que é ruim também precisa ser vivido

E sentido como numa catarse

E que o risco não é uma opção de poucos

Mas a possibilidade desconsiderada por muitos

A Contemplação do Imprevisto

•Julho 30, 2012 • Deixe um Comentário

A espera prolongada

Por um sentir

Mínimo que fosse

Uma dor

Um acaso

Dói

Por acaso

 

Se estava previsto

Não há como saber

Porém, não prefiro

Este tipo de previsão

Este tipo de razão

 

E o querer viver

O que não foi vivido

Torna pior qualquer dor

Torna terrível qualquer sentido

E os desejos, tão vivos,

Assustam-se

E clamam

Por alguma transitoriedade

 

Pobre imbecil

São ilusionista

Cabeça erguida

Fumaça perdida

Dos beijos em vão

 

Se a automaticidade

Moderna

Quebra os parâmetros

De tão longa espera

Os deuses hão de saber

Os deuses hão de querer

 

Queiram eles sondar, por favor (eu clamo)!

Possíveis canções

•Fevereiro 8, 2012 • 2 comentários

Volto pro apartamento

Ainda que cedo

Pra pegar minhas coisas

Livros e discos

Olhar a foto escondida

Lembrar um último acaso

Onde será que guardei aquelas cartas?

Onde estão todas aquelas mágoas?

 

Volto pro apartamento

Talvez seja tarde, eu sei…

Não sobrou quase nada

Só passei pra buscar

Aquele último poema

E rasgar todas as cartas

Todas as mágoas,

Possíveis canções.

Parte

•Dezembro 23, 2011 • 3 comentários

Coração dentro da vida

Em cordas flamejantes,

Rompendo-se, cortantes:

Imperiosa partida

*

Sombrios pensamentos

Simétricos, soturnos

Lamentos oportunos

De espíritos sedentos

*

Trágica lembrança

Faminta de receios

Devoras os enleios

De toda a esperança

*

Pendendo a consciência

Cansados, sempre aos prantos

Os pútridos recantos

Da astuta coerência

*

Il s’appele le fin des temps

Pour un autre triste exemple

Il  a fait le coeur dormir

Dans ce mort et saint plaisir.

Do sentir

•Junho 23, 2011 • 3 comentários

Era como se julho fosse o prelúdio de tudo aquilo que fora. Impossível. Como uma coisa poderia preceder outra que já acontecera? Por outro lado, porém, se tudo era um ciclo, quem seria capaz de definir o início e o fim?

Talvez tivesse perdido a consciência. Ao longe, algodões doces esbranquiçados o faziam duvidar de que a causa das ruas molhadas fora a chuva.

Da janela do carro acompanhava o movimento tão prosaico de todas as tardes – o trânsito entediante e a constatação de que em São Paulo não cabe mais nem uma agulha. E se perguntava se queria voltar a casa e ligar a televisão, disfarçada de solidão ou se preferia estar ao redor de tanta gente sem deixar de estar só. Seriam questões contemporâneas mescladas a sentimentos medievais ou um pseudo-intelectualismo alienado?

Talvez fosse melhor seguir o fluxo, esquecer tudo aquilo que era, se juntar à multidão e beber até regurgitar. Agitar! Isso sim era divertido. Dormir sem sentir as mesmas angústias, aquelas frustrações que sempre o convidavam a entrar.

O mundo nunca se adaptaria ao seu modo de pensar e agir, a maioria das pessoas nunca enxergaria o que seus olhos enxergavam. Mas que pretensão era aquela!? Achar que tem a verdade guardada em uma caixa secreta? Ah, por favor… Agora não!

Talvez tivesse mesmo perdido a consciência.

Orvalho rubro

•Maio 16, 2011 • 3 comentários

O amanhã não existe

Em função de um hoje que morreu

Ninguém o velou

Porque ele não existe

E quem existe sou eu

*

Quisera ser o hoje em função do ontem

E nunca existir também

Quisera jamais ver os versos

Ou saber de onde eles vêm

*

Mas é necessária a vida

Que nunca rogou por nascer:

Assim que se abre a ferida

Não há como o sangue reter

*

Esvai-se, calando os sentidos

Que gritam sem se conter

Inferno é o som da ida

Que ao se tornar partida

Insiste em AMANHECER.